Exoplanetas Mais Promissores: Conheça os Mundos que Podem Abrigar Vida Hoje

Descubra quais exoplanetas são considerados mais favoráveis à existência de vida. Entenda os critérios de habitabilidade e conheça mundos como TRAPPIST-1e, Kepler-452b e Proxima b.

ASTRONOMIA

Lucas Muniz

1/5/20269 min read

silhouette photo of mountain during night time
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Quando olhamos para o céu à noite, é difícil não se perguntar se estamos realmente sozinhos no Universo. Durante séculos, essa pergunta ficou no campo da filosofia, da imaginação e da ficção científica. Mas, nas últimas décadas, algo mudou: começamos a descobrir planetas fora do nosso Sistema Solar. E não apenas alguns — são milhares.

Esses mundos recebem o nome de exoplanetas, e muitos deles são completamente diferentes de tudo o que já vimos. Alguns são gigantes gasosos tão próximos de suas estrelas que parecem bolas incandescentes. Outros são rochosos, com tamanhos próximos ao da Terra, orbitando em regiões onde a água líquida pode existir — e é aí que o interesse dispara.

Entre esses milhares de mundos, alguns chamam mais atenção. São candidatos reais na busca por vida. Eles não são apenas curiosidades astronômicas: representam a possibilidade de que existam outros ambientes onde química, clima e tempo podem ter se combinado para criar algo vivo.

Neste post, vamos conhecer os exoplanetas mais promissores descobertos até agora — aqueles que estão no centro das pesquisas, das observações e das hipóteses científicas. Mundos que podem, quem sabe, responder uma das perguntas mais antigas da humanidade.

Critérios Usados para Selecionar Planetas Promissores

Nem todo planeta descoberto lá fora entra na lista dos “candidatos à vida”. Alguns são grandes demais, outros são pequenos demais, alguns são tão quentes que evaporariam qualquer gota de água — e outros tão frios que seriam mundos congelados sem chance de mudanças químicas.
Para saber quais planetas merecem nossa atenção, os astrônomos observam alguns critérios-chave. Pense nisso como uma espécie de “checklist cósmico” para encontrar lugares onde a vida poderia existir.

Distância Certa da Estrela (A Zona Habitável)

Imagine acender uma fogueira. Se você ficar muito perto, queima. Muito longe, passa frio. Com planetas é parecido: a zona habitável é essa região na órbita da estrela onde a temperatura pode permitir a presença de água líquida na superfície — um ingrediente essencial para a vida como conhecemos.

Planetas dentro dessa zona não garantem vida, mas estão no ponto ideal para que ela seja possível.

Tipo de Estrela Importa

Nem toda estrela é um “Sol”. Algumas são enormes e vivem pouco, explodindo antes que a vida tenha tempo de surgir. Outras são pequenas e calmas, brilhando por bilhões de anos — tempo suficiente para química e evolução trabalharem com calma.

Assim, planetas orbitando estrelas estáveis e de vida longa entram no radar como candidatos melhores

Tamanho e Composição do Planeta

Planetas rochosos, como a Terra e Marte, são mais interessantes do que gigantes gasosos como Júpiter. A vida, ao menos como entendemos, precisa de uma superfície sólida onde processos químicos possam acontecer.

Além disso, o tamanho conta:

  • Grande demais → pode ter uma atmosfera sufocante.

  • Pequeno demais → perde atmosfera com o tempo.

  • Na medida certa → consegue reter gases e manter um clima estável

Atmosfera e Clima

Mesmo que um planeta esteja na zona habitável, sem atmosfera não há como manter calor ou proteger a superfície da radiação da estrela.

Os astrônomos procuram sinais que indiquem:

  • Existência de atmosfera

  • Composição ideal (não tóxica, não volátil demais)

  • Possível presença de vapor d’água ou moléculas orgânicas

Em termos simples: a atmosfera é o que mantém o planeta “vivo” por fora e por dentro.

Magnetismo: O Escudo Invisível

Um campo magnético funciona como um escudo protetor, evitando que o vento estelar destrua a atmosfera. Sem ele, qualquer planeta se transforma em um deserto seco e estéril — como aconteceu com Marte.

Planetas com núcleo ativo e campo magnético entram com vantagem na lista de promissores.

Exoplanetas Promissores no Radar da Ciência

Agora que entendemos o que torna um planeta interessante na busca por vida, vamos conhecer alguns dos candidatos mais promissores já identificados. Esses mundos não são apenas números em bancos de dados astronômicos: eles representam lugares reais, orbitando suas estrelas, esperando para serem melhor observados.

Kepler-452b: “O Primo Mais Velho da Terra”

Descoberto pela missão Kepler, o Kepler-452b é frequentemente chamado de “o mais parecido com a Terra” já encontrado.
Ele fica na zona habitável de uma estrela muito semelhante ao nosso Sol, mas um pouco mais velha. Isso significa que, se houver vida lá, ela teria tido mais tempo para evoluir.

Principais características:

  • Tamanho um pouco maior que o da Terra (cerca de 60% maior em diâmetro)

  • Órbita dentro da zona habitável

  • Possível superfície rochosa

Por que é promissor:
Porque reúne vários fatores semelhantes ao nosso planeta, aumentando a chance de condições estáveis.

Ilustração artística do exoplaneta Kepler-452b orbitando sua estrela.
Ilustração artística do exoplaneta Kepler-452b orbitando sua estrela.

Concepção artística do exoplaneta Kepler-452b, um mundo de tamanho próximo ao da Terra na zona habitável de uma estrela similar ao Sol. Crédito: NASA/Ames/JPL-Caltech/T. Pyle (domínio público)

TRAPPIST-1e: Parte de um Sistema Planetário Fascinante

Ilustração artística do exoplaneta TRAPPIST-1e.
Ilustração artística do exoplaneta TRAPPIST-1e.

Concepção artística do exoplaneta LHS 1140b como um possível mundo oceânico coberto por gelo, em comparação com a Terra. Crédito: Benoit Gougeon / Université de Montréal

O sistema TRAPPIST-1 é formado por sete planetas, todos quase do tamanho da Terra.
O planeta TRAPPIST-1e se destaca por estar bem no meio da zona habitável e por provavelmente ser rochosos.

Imagine um sistema solar em miniatura, ultra compacto, onde os planetas estão tão próximos uns dos outros que alguns podem ser vistos diretamente no céu do planeta vizinho. TRAPPIST-1 é exatamente isso.

Por que é promissor:

  • Tamanho semelhante ao da Terra

  • Temperaturas que podem permitir água líquida

  • Sistema perfeito para estudos com telescópios futuros

O Telescópio Espacial James Webb já começou a estudar sua atmosfera — algo que pode nos trazer novidades importantes nos próximos anos.

Proxima Centauri b: Nosso Vizinho Mais Próximo

Ilustração artística do exoplaneta Proxima Centauri b.
Ilustração artística do exoplaneta Proxima Centauri b.

Concepção artística do exoplaneta TRAPPIST-1e, um dos mundos potencialmente rochosos do sistema TRAPPIST-1. Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI (domínio público)

Se existe um planeta que está “logo ali”, é Proxima Centauri b. Ele orbita a estrela mais próxima do Sol, a apenas 4,2 anos-luz de distância.
Isso não é exatamente “perto”, mas em termos astronômicos, é quase do lado.

Ele está dentro da zona habitável e é rochosos, mas sua estrela — uma anã vermelha — é bastante ativa, soltando radiação. Isso pode dificultar a existência de uma atmosfera estável.

Por que ainda vale entrar na lista:

  • Proximidade torna mais fácil estudar

  • Pode ser o primeiro destino de sondas interestelares no futuro (como o projeto Breakthrough Starshot)

LHS 1140b: Um Candidato Sólido e Mais Silencioso

Ilustração artística do exoplaneta LHS 1140b com oceano sob gelo, comparado à Terra.
Ilustração artística do exoplaneta LHS 1140b com oceano sob gelo, comparado à Terra.

Concepção artística do exoplaneta Proxima Centauri b orbitando sua estrela anã vermelha, a mais próxima do Sistema Solar. Crédito: ESO/M. Kornmesser.

Menos famoso do que os anteriores, LHS 1140b é um planeta possivelmente rochoso, maior que a Terra, orbitando uma anã vermelha calma, o que é uma grande vantagem para manter uma atmosfera estável.

Pesquisas recentes sugerem que ele pode ter uma densa atmosfera e talvez até um oceano global.

Por que é promissor:

  • Estrela pouco ativa

  • Possível presença de água líquida

  • Atmosfera potencialmente preservada

Em resumo: não estamos apenas encontrando planetas — estamos identificando ambientes que podem, um dia, receber a pergunta mais importante da humanidade:
“Há alguém aí?”

O que Ainda Precisamos Confirmar

Mesmo quando um exoplaneta parece promissor, ainda estamos longe de bater o martelo e dizer: “Sim, existe vida aqui.” Isso acontece porque, até o momento, a maior parte das informações que temos vem de dados indiretos — pequenas variações de luz, oscilações gravitacionais, e sinais muito sutis captados pelos telescópios.

É como tentar descrever uma casa olhando apenas para a sombra dela projetada no chão.
Dá para supor algumas coisas, mas não tudo.

Representação artística do Telescópio Espacial James Webb.
Representação artística do Telescópio Espacial James Webb.

Representação artística do Telescópio Espacial James Webb. Crédito: NASA.

Precisamos Confirmar Características da Atmosfera

Saber se um planeta tem uma atmosfera já é um desafio.
Descobrir do que ela é feita, então, é ainda mais delicado.

A atmosfera é onde procuramos bioassinaturas, como:

  • Oxigênio

  • Metano

  • Vapor d’água

  • Dióxido de carbono

  • Compostos orgânicos

Mas esses gases só dizem algo quando analisados no conjunto.
Por exemplo:

  • Oxigênio sozinho pode ter origem geológica.

  • Metano também pode ser produzido por processos sem vida.

Agora, quando oxigênio e metano aparecem juntos, isso chama atenção — pois na Terra só conseguimos manter esse equilíbrio por causa da vida.

Limitações Tecnológicas Atuais

Nossos telescópios, por mais avançados que sejam, ainda captam sinais extremamente fracos.
Com as tecnologias atuais:

  • Não conseguimos ver oceanos diretamente.

  • Não conseguimos ver continentes, nuvens ou florestas.

  • Não conseguimos observar superfícies em detalhes.

O que fazemos, hoje, é interpretar padrões de luz e sombra.

Mas isso está mudando.

O Papel do Telescópio Espacial James Webb

Desde 2022, o James Webb vem revolucionando a observação de exoplanetas.
Ele é capaz de estudar a luz que atravessa uma atmosfera quando o planeta passa diante da estrela — e isso nos permite identificar moléculas.

É como se, de repente, tivéssemos trocado um binóculo comum por um microscópio interestelar.

Os estudos mais aguardados no momento envolvem justamente:

  • TRAPPIST-1e

  • LHS 1140b

Ainda é cedo para conclusões, mas já estamos vendo avanços que eram impensáveis há poucos anos.

Futuro da Busca por Vida

Nos próximos anos, novas missões vão ampliar essa busca, como:

  • Nancy Grace Roman Telescope (NASA)

  • PLATO (ESA)

  • Extremely Large Telescope no Chile

Esses observatórios devem nos permitir:

  • Analisar atmosferas com mais precisão

  • Detectar bioassinaturas mais facilmente

  • Mapear climas e ciclos planetários

Ou seja: estamos entrando na era das confirmações.

Estamos na borda de uma descoberta que pode mudar nossa compreensão sobre quem somos.
Pela primeira vez, temos ferramentas capazes de, talvez, responder a pergunta que a humanidade carrega há milênios.

A busca por vida fora da Terra não é apenas uma curiosidade científica. Ela toca algo profundo em nós — a vontade de entender o nosso lugar no Universo. Cada novo exoplaneta descoberto, cada atmosfera analisada e cada dado coletado nos aproxima de uma resposta que pode transformar nossa percepção de quem somos.

Os mundos apresentados aqui — Kepler-452b, TRAPPIST-1e, Proxima b e LHS 1140b — não são apenas pontos em mapas astronômicos. Eles são possibilidades reais, lugares onde química, tempo e condições ambientais podem ter se alinhado de formas que ainda não compreendemos totalmente.

Não sabemos ainda se existe vida lá fora.
Mas sabemos que estamos procurando do jeito certo, com as ferramentas certas, e em uma era em que essa resposta pode finalmente estar ao alcance.

A jornada está em andamento — e cada descoberta amplia o horizonte do possível.

Imagem da Nebulosa Tarântula pelo Telescópio Espacial James Webb.
Imagem da Nebulosa Tarântula pelo Telescópio Espacial James Webb.

Imagem da Nebulosa Tarântula capturada pelo Telescópio Espacial James Webb. Crédito: NASA, ESA e CSA / STScI (domínio público).

Curtiu essa viagem pelos exoplanetas? Então continue explorando: veja também nossos outros posts sobre astronomia e descubra como novas tecnologias, telescópios e missões estão ampliando o nosso olhar para o Universo.

Referências: